Conceito de amor em psicanálise

Maria Madalena de Freitas Lopes

ISBN - 978-85-79280-01-6

152 págs. R$ 28,00

Conceito de amor em psicanálise se inicia trazendo as definições dos objetos da pulsão e do amor e como estes se distinguem. O objeto da pulsão é sempre um objeto parcial, o outro do amor é um todo, uma imagem que unifica e fascina, da mesma forma que ocorre com a instauração do eu narcísico.

Explorando a vertente imaginária o texto segue o percurso de Freud, do narcisismo até o conceito de pulsão de morte. A morte ao adentrar a cena psicanalítica demanda um novo discernimento e abre-se à castração – falta humana por excelência, que permite a consciência do existir e de seu limite. A castração coloca tal dimensão e empurra o gozo aos limites do corpo erógeno e acena com a impossibilidade de acesso ao seu objeto, enquanto objeto de gozo, sempre demandado e fora-da-linguagem. Na linguagem - por ser uma questão de lei, de regras - coloca-se a questão humana. O campo do Outro – enquanto campo da linguagem - obriga o sujeito a se posicionar ao mesmo tempo em que o exclui do gozo. Permite a subjetivação e o sonho, uma vez que surgem aberturas, descontinuidades, brechas que possibilitam sua criação. Ou seja: a linguagem, por sua característica, permite a apreensão da existência temporal: que o sujeito exista e se posicione, existindo desde de antes.

O campo do Outro (seus contornos) permite ao sujeito uma existência marcada pelo peso da falta, que por sua vez permite que o Outro do amor exista. Em suma, permite que outros existam: a cultura e relacionamentos. O amor resulta da superação do narcisismo - em sua vertente eu-outro – e, portanto, conta com a falta, que permite o Outro como terceiro, iniciando assim a criação de relações humanas.

 

O amor é uma invenção, recurso poético e primeiro, originário do humano, naquilo em o Humano ganha destaque. Esta é uma trilha percorrida ao longo da história da psicanálise, que com Freud se inicia - e o amor força a cada passo que seja considerado e definido, impõe sua pesquisa no caminho da subjetividade e de seu eixo, o desejo. Assim se esclarece na perspectiva de Lacan, que persegue tal trilha. A repetição e a transferência que abordam a temática amorosa se revelam vinculada à ordem pulsional (ou a sexualidade tal qual a psicanálise freudiana a revela). O gozo, a satisfação, a completude marcam presença na contramão do amor. Na neurose, verifica Freud, a incapacidade de amar se apresenta e revela - conforme os Estudos sobre histeria - o objeto (no caso, de gozo); apreensão que impossibilita pensar o amor e defini-lo, e que se apresenta como enigma... O amor ganha sua primeira definição a partir do narcisismo – é “amor a si mesmo” –, tão imaginário como Narciso e a fantasia, mas insiste em suas sutilezas que levam Freud a atentar e definir a morte, e destacá-la enquanto presença em sua teoria. Invenção também de Freud? É a interpretação do silêncio que marca o humano? Castração? O reconhecimento do Outro se vincula ao amor – mais precisamente, por seu Dom –, ganha os contornos do uso do símbolo, que surge como Lei; e o amor, por fim, é capaz de ser reconhecido como saída humana: é superação narcísica e presença da morte, castração – na contramão da completude almejada pela pulsão. 

 

Maria Madalena de Freitas Lopes: Psicóloga clínica, Pós-graduada em Psicanálise, Mestre e Doutora em Comunicação e Semiótica pela PUCSP.

Professora e supervisora clínica na Universidade Camilo Castelo Branco/São Paulo.
Título do Doutorado: Como as mulheres amam: um estudo semiótico-psicanalítico do amor feminino, 2002.