O Príncipe

Maquiavel

ISBN - 978-85-88208-15-5 — 112 págs. — R$ 13,00

Maquiavel não viu O Príncipe impresso. O Florentino morreu em 1527 e só em 1531 o seu livro foi publicado, e sem nenhum alarde. Ainda não havia chegado o seu momento que, entretanto, não tardaria. As lutas da segunda metade do século XVI vão colocá-lo em evidência e a partir daí Maquiavel nunca mais teve sossego pelos séculos seguintes; malsinado e glorificado, aquelas poucas páginas o tornaram famoso. Ao raiar do século XVIII, a imagem de bom funcionário, bom pai e bom esposo, cedeu lugar a uma figura sombria e satânica, aureolada de prestígios infernais.
Ao escrever O Príncipe, Maquiavel tinha apenas a intenção de sair da pobreza a que ficara reduzido ao perder o emprego e ser exilado. Talvez desejasse ter um único leitor, Lorenzo de Médici, que possivelmente não o leu. Ensinava ao príncipe como se tornar poderoso, sem se preocupar com os meios, e o incitava a redimir e unificar a Itália humilhada, invadida e retalhada.
Morto Maquiavel, desapareceu o objetivo que inspirou o livro. Mas seu destino é bem outro, muito maior do que a intenção imediata do Florentino. Maquiavel quis ensinar a um príncipe como conquistar e conservar um Estado e acabou sendo autor de cabeceira dos absolutistas, ao mesmo tempo em que ensinou aos liberais e ao povo os métodos daqueles. É o pensador que afirma que a única maneira de vencer o homem livre é liquidando-o.

Nicolau Maquiavel (1469-1527) é um dos pensadores mais discutidos de todos os tempos e suas idéias têm sofrido as maiores distorções. Do seu nome derivam o substantivo “maquiavelismo” e o adjetivo “maquiavélico”, que se tornaram palavras correntes do vocabulário universal e passaram a valer como sentença definitiva no que tange ao seu vulgar sentido. Elas têm uma força própria, independente da obra do Florentino, que foi adquirida à custa de uma repetição nem sempre fiel. O seu pequeno livro O Príncipe tem sido citado sem maior exame e as palavras “maquiavélico” e “maquiavelismo” usadas por uma multidão, cuja grande maioria jamais leu a referida obra.